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O Grupo Submundo de Teatro montou efetivamente apenas duas peças: Esquina Brasil (1999, com o núcleo I) e 45 Minutos de Amor (2000, com o núcleo II). Houve intensa atividade de criação de uma terceira peça, Aos Homens Honestos, mas por motivos de força maior não foi concluída.

Foi imenso, porém, seu papel na consolidação da Trópis e da sua Pedagogia do Convívio - especialmente o processo de constituição do grupo através da criação de Esquina Brasil

Além disso, pode-se dizer que foram as apresentações do Submundo e da banda Provisório Permanente (muitas vezes fazendo ao vivo a trilha original da peça) quem deu existência pública à Trópis.

Versão internética da brochura de apresentação da peça, não retiramos do ar estas 2 páginas - apesar de sua precariedade técnica - como não se joga no lixo a foto de um bebê porque ele cresceu!

 

 
O Grupo Submundo de Teatro
- história e propostas

Em agosto de 98 reuniram-se alguns amigos da Periferia Sul de São Paulo, todos bastante jovens mas já com história de envolvimento com a arte e com o palco:

... alguns do elenco da Opera Pop, apresentada desde 97 em palcos paulistas;

... outros do Centro Cultural Monte Azul, onde haviam crescido fazendo teatro, música e dança - incluindo espetáculos marcantes como Nor e Lixo & Dança (grupo BailaMontes);

... muitos podiam ser chamados "os agitadores culturais da Escola Zulmira", onde, enfrentando dificuldades e resistências, faziam acontecer eventos e espetáculos de música, dança e teatro - como a peça O Triângulo, escrita por Carla Lopes e dirigida por Gil Marçal, com várias apresentações no Centro Cultural Monte Azul, que acabou juntando o núcleo do atual Submundo.

O primeiro objetivo foi juntar forças para evitar que a engrenagem econômica e social os afastasse de fazer arte - pois haviam escolhido a arte como caminho de vida, não só por gosto pessoal, mas como forma de atuação educativa e transformadora na sociedade.

O Submundo não pretende se restringir ao núcleo inicial, e sim fazer escola, abrindo-se à formação e orientação de grupos e espetáculos múltiplos - oferecendo dois níveis aos participantes, tanto aos futuros como aos atuais:

• o crescimento pessoal, como individuos e como cidadãos conscientes, participativos e multiplicadores desses valores;

• para quem o desejar, um caminho de profissionalização no campo artístico, bem como no pedagógico-social - isso devido à ausência, numa metrópole como São Paulo, de um tal caminho de profissionalização viável para jovens da periferia.

É claro que o Submundo não pretende cultivar esses valores apenas internamente, e sim estimulá-los nas platéias, não exclusivamente mas especialmente as de jovens - sabendo que discursos e sermões permanecem na intenção, porém a vivência estética, ela sim, tem o poder de levar à consciência ética (ver p.ex. Domenico de Masi).

O Submundo é portanto um grupo de jovens decididos a trabalhar com arte de qualidade profissional como meio de educação do indivíduo e da sociedade ...

... fato tão mais significativo por se tratar jovens da periferia, oriundos em boa parte de favelas e cortiços, que estão onde estão por terem tido a oportunidade de provar em suas próprias vidas a arte como meio de educação.
 

 

 
A peça ESQUINA BRASIL - o que é

Embora seus integrantes tenham longa história de palco, juntos ou separados, a peça Esquina Brasil é a primeira produção do Submundo como grupo.

Reunindo traços cômicos e dramáticos, é concebida em dois planos narrativos que se alternam e se informam mutuamente. Nas palavras do escritor Ralf Rickli, cujo conto A Cidade no Topo do Mundo foi usado em um desses planos narrativos:

  •  

  • A peça é uma soberba expressão de dentro para fora da juventude brasileira deste momento, e de suas perplexidades, partindo não de alguma interpretação teórica e sim das próprias vivências dos atores. Nesse sentido lembra a antológica Trate-me Leão, do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone - que revelou Regina Casé -, com sua expressão da juventude dos anos 70, embora nenhum integrante do Submundo tivesse conhecimento dessa peça durante a criação.

  • Os próprios jovens (nenhum com mais de 19 anos) respondem por todos os aspectos, como: concepção geral, criação coletiva e adaptação de textos, música original e adaptada, coreografias, direção e organização em todos os níveis. Adultos só tem participado a convite expresso dos jovens (em oficinas e assesorias específicas, palestras de contextualização histórica etc.)

    Não se pense, porém, em pecinha escolar ou "de boa vontade"!

    Trata-se de uma realização destinada a enfrentar qualquer palco profissional na São Paulo de hoje - objetivo plenamente atingido, segundo as reações iniciais.

    Até março de 99 a peça foi apresentada a jovens da FEBEM unidade Tatuapé e do Bairro Horizonte Azul, além de várias apresentações no Centro Cultural Monte Azul, sempre com excelente recepção.

     

     
    Será que ninguém vê
    o caos em que vivemos?
    Os jovens são tão jovens
    e fica tudo por isso mesmo.
    A juventude é rica,
    a juventude é pobre,
    a juventude sofre
    e ninguém parece perceber. (...)
    A juventude está sozinha
    não tem ninguém para ajudar
    a entender porque é que o mundo
    é esse desastre que aí está...

    Renato Russo (Aloha, 1996)

     
    Meus heróis
    morreram de overdose (...)
    Ideologia:
    eu quero uma pra viver.

    Cazuza (Ideologia, anos 80)

    É preciso acreditar num novo dia
    na nossa grande geração perdida
    nos meninos e meninas (...)
    A escuridão ainda é pior
    que essa luz cinza;
    Nós estamos vivos ainda!

    Renato Russo (Natalia, 1996)

     

     
    A peça Esquina Brasil - momento e sentido

    Podemos dizer que, em sua clara exposição do momento atual, a peça ESQUINA BRASIL atinge tanto aos jovens quanto aos adultos, seja como vindo do espelho, seja como do microscópio.

    Na expressão dos próprios integrantes do Submundo, trata-se de jovens que se sentem em busca – porém confessam não saber em busca de quê; que se sentem em luta, porém não sabem com quem, nem quais as regras ou mesmo os motivos da luta.

    Nossos jovens lançam aos movimentos sociais e manifestações populares, inclusive a si mesmos, um olhar que mescla ironia, desencanto, humor e compaixão. Descobrem a impossibilidade da transformação social sem a construção em cada indivíduo da consciência de sua inserção social e histórica, e do seu senso de responsabilidade - ou seja, da cidadania, porém sem partir da palavra, um clichê como qualquer outro, e sim da elaboração do conceito à partir da experiência vivida - muitas vezes dolorosa, mesmo se apresentada com humor.

    Ao reconhecerem que o processo é profundamente individual e profundamente coletivo ao mesmo tempo, vão muito além do simplismo das palavras de ordem e das interpretações ideológicas fáceis de gerações anteriores, refletindo nitidamente a complexidade e perplexidade de nosso momento histórico – decididos porém a enfrentá-las, a não passar pelo mundo sem tentar deixar um avanço, uma marca original.

    (Se no final da peça é introduzida a idéia da "trimembração social", proposta inicialmente pelo pensador Rudolf Steiner, é necessário acentuar que isso não foi por sugestão ou orientação de nenhum "mais velho": alguns desses jovens haviam conhecido essa idéia na nossa OCA - Oficina de Conhecimento & Artes muito tempo antes, e nos debates do grupo sobre os impasses da atualidade fizeram por si mesmos a relação).

    Em suma: são jovens com uma aguda sensibilidade para a pergunta: "o que este momento requer?", lutando para dar sua contribuição própria à construção da cidadania e ao enfrentamento das dificuldades características do nosso momento histórico.

    (Ralf Rickli)

     


    ESQUINA BRASIL
    direção e elenco atual

    Gil Marçal - 19 anos, diretor da peça Esquina Brasil e coordenador do Módulo A do Projeto Jovens que Fazem, Gil cresceu na Favela Monte Azul, passando na infância por uma grande variedade de vivências educacionais e artísticas na Associação Comunitária de mesmo nome (ACOMA).

    Na adolescência prosseguiu com cursos regulares ou de extensão, com p.ex.:
    Vera Sala (expressão corporal), Cido Cândido (dança moderna), Ana Thomaz (teatro para educadores), Reinaldo Maia (dramaturgia), Christine Bayle (França - dança barroca), Ricardo Kanji (luteria), Elizabeth Seraphim Prosser (flauta doce), Ralf Rickli (piano e cultura geral - OCA/Trópis), Selma Saraiva (restauro de móveis e cultura geral), Sônia Kavantan, produção cultural.

    Apresentou-se em diversos locais e cidades, inicialmente com grupos de teatro, música ou dança da ACOMA, p.ex. o BailaMontes. Há alguns anos passou a dirigir peças, como O Triângulo, de Carla Lopes, realizada com "os agitadores culturais da Escola Zulmira", sendo que em 98-99 atuou como diretor convidado do Grupo Réquiem com sua conhecida peça Ópera Pop.

    Em 96 publicou, com Reinaldo Nascimento e Vanusa Coutinho, o caderno de poesia Questão de Espaço, e em 97 foi finalista no Concurso de Poesia das Bibliotecas Públicas de São Paulo.

    Em 98 atuou como instrutor nos Cursos de Formação de Jovens Empreendedores do Convênio SEBRAE/UMES, e participou do Encontro Nacional "Vem Ser Cidadão" em Faxinal do Céu (PR).

    Junto com Anabela Gonçalves e outros jovens, desenvolveu o conceito da Revista ViEla. Tem auxiliado na produção da banda Provisório Permanente, onde participa eventualmente com piano, teclado e guitarra base, além de surpreendentes vocais de rap. Gil vem participando há anos da concepção e construção da Trópis iniciativas sócio-culturais, sendo o responsável oficial pelo Projeto "O dia em que Túlio descobriu a África" frente ao Ministério da Cultura (Lei Rouanet).

    Gunnar Vargas - nascido na Venezuela há 17 anos, Gunnar é responsável pela trilha sonora e música original da peça Esquina Brasil. Aluno de guitarra de Marco Prado e Éder Sandoli na ULM, Gunnar faz também violão, guitarra, baixo e direção musical na banda Provisório Permanente.
     

       

      

     
    Anabela Gonçalves - 17 anos, atuação e criação coreográfica. Anabela tem tido intensa vivência artística em teatro e dança desde a infância na ACOMA, tendo tido atuações notáveis no BailaMontes. Entre outras atividades, participou das iniciativas dos "agitadores culturais da Escola Zulmira" e da concepção da Revista ViEla e do Submundo.

    Ana Paula da Paz - 16 anos, alagoana, atuação e voz. Ana Paula estuda canto na ULM, faz vocais na banda Provisório Permanente e vem tendo intensa participação no Submundo.

    Carla Lopes - 18 anos, no 1.º ano de Jornalismo, Carla foi igualmente do grupo de "agitadores culturais da Escola Zulmira", tendo montado a peça O Triângulo, de sua autoria, com direção de Gil Marçal. No Submundo, além de atuar, Carla é uma das "mães" da concepção do grupo.

    Carlos Roberto MACEDO - com 12 anos, mostrou-se absolutamente fascinado pela atividade do Submundo quando este ensaiava no espaço da ACOMA, onde Carlos estuda. Acabou juntando-se ao grupo, onde surpreende a todos com sua inventividade e dedicação.

    David Alves - 16 anos, atuou desde 97 na Ópera Pop, do Grupo Réquiem, e é mais um dos "agitadores culturais da Escola Zulmira", tendo protagonizado a peça O Triângulo, de Carla Lopes. Em novembro de 98 participou do Encontro Nacional "Vem Ser Cidadão", em Faxinal do Céu (PR), e atualmente estuda no Projeto Aprendiz, que vem introduzindo propostas de renovação da educação sob liderança do jornalista Gilberto Dimenstein.

    Juliana da Paz - 14 anos, alagoana, Juliana vem mostrando notável "garra" neste seu primeiro envolvimento com o teatro.

    Miqueas Soares - tem atuado em diversas montagens de teatro amador, inclusive em O Triângulo, de Carla Lopes, com os "agitadores culturais da Escola Zulmira".

    Rogério de Souza - atuando há anos na Opera Pop do Grupo Réquiem, Rogério juntou-se ao Submundo com um importante trabalho de atuação, preparação corporal e criação coreográfica.

    Sheila Cruz - 18 anos, Sheila traz a experiência de sua intensa participação na atuação e organização da Opera Pop, do Grupo Réquiem.

    A criação da peça Esquina Brasil contou ainda com a colaboração
    de Paulo Rogério (do Grupo Réquiem / Ópera Pop) na coreografia,
    de Ademir Feliciano, iluminador do Centro Cultural Monte Azul,
    de Sarah Moura na voz e criação de cenas, entre outros.

     

    ^ O Submundo ensaiando, em foto publicada na Revista E,
    do SESC São Paulo, novembro 98. No palco, Rogério Sousa.
       
    ^
    O Grupo Submundo de Teatro por ocasião de apresentação na FEBEM, unidade Tatuapé...

    <
    e no centro velho de São Paulo (com o Provisório Permanente no coreto), em promoção da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

     

    Contato (dados atualizados para 2006):

    Grupo Submundo de Teatro
    a/c Gil Marçal

    http://www.tropis.org/submundo
    e-mail gil@tropis.org
    cel. 8542-4404

    São Paulo SP

     


    referência à peça Esquina Brasil e ao diretor
    na revista Marketing Cultural

    (link removido)

    O Grupo Submundo de Teatro  
    é uma iniciativa autônoma congregada à