Letras

Meios Tortos
Paraté
Bárbara
Vinho nos lençóis
Feras em belas
Sobreviver
Parabolicanizados
Ogum
Pacote padronizado
Coração constante

k

 

 

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MEIOS TORTOS

Eu já armei o barraco
já derrubei a mesa (2x)
da solidão
e que a solidão tome conta de nós
que congele meus sentidos
congele minha alma

quanto mais a gente gosta
mais a gente chora, então por favor
quanto mais a gente ama
mais a gente implora, por favor
poupe minhas lágrimas
tanto faz o quente, tanto faz
com qual pessoa acordar
não importa nada
não importa nada
tanto faz o frio, tanto faz
com qual pessoa dormir
não importa nada
não importa

o caminho é sempre o mesmo
começo perfeito, meios tortos e fim.

Gunnar Vargas

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PARATÉ

Para tecnologia
a panela vazia
os olhos apontados
sobre um prato de comida
comercial da tv

dê-me um trago virtual
do charuto, do café
reze um terço na corrente da rede nacional

mas não esqueça do apito, do relógio, celular
microondas, do alarme, do processo recusado
e o silêncio contestado nos latidos, nos motores
melodias buzinadas e o solo da sirêne

para tecnologia
para tecnologia
para tecnologia
paraté

o indivíduo dividido nas contas pra pagar,
no juros do cartão.

Gunnar Vargas

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BÁRBARA

Bárbara, Barbará
pulo nos seus olhos negros
tanta lua brilha ao fogo
negra pele, caminha ao lado do meu labirinto

tão estranho o nosso amor
se amo perco o meu perdão
se oculto a vida não tem sabor

Bárbara, Barbará
esqueça a catedral,
o amor não tem receita
a dor não tem limite
sem você meu mundo pára
venha ao fogo da sua amada.

Gunnar Vargas

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VINHO NOS LENÇÓIS

minha alma de cristal
saboreia o teu azul
e de repente tudo

vinho que derrama nos lençóis
e os teus laços tão banais
eu já não ligo pra essas coisas

que o mundo competente
insiste em me provar
a minha inutilidade

desde o tempo da cigarra
você é minha formiga
que invade o meu quintal

e me deixa morta a porta
que te faz tão competente
e eu sou apenas um amador
popular.

Gunnar Vargas

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FERAS EM BELAS

teu olhar de felino me assusta
e é como se fosse normal
que aos poucos estrangula minha boca
com sua navalha fatal

teu olhar de bandido me acusa
e num suspiro frontal
reparte meu peito que em flores
te espera mortal

ó, meu amor
arranca meus lábios
arranca minha boca
arranca minha língua
palavras pra ti

arranca em meus beijos
arranca em pedaços
arranca em meus braços
o teu jardim

que é pra ver
se o teu espelho serve pra ti

teu olhar de mendigo me avisa
que o tempo pode ser ideal
pra viajar entre os prédios perdidos
e encontrar tua corte real

teu suor tão sofrido perturba
e o mundo anda tão underground
da tua mão saem mil labirintos
que enquadra meu corpo afinal.

Gunnar Vargas

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SOBREVIVER

Eu quero entender, procuro entender
mas de repente a gente nota
que precisa usar os mesmos
velhos hábitos pra sobreviver

procuro uma saída
a rua está deserta
a mente sempre aberta
que procura sempre grana
pra sobreviver

e de repente a gente nota
que engoliu a mesma nota
o mesmo troco, o mesmo asco, a mesma rota
pra sobeviver

sobreviver sim
o sabor da vida é prata
viver não
o sabor da vida mia quando a necessidade nos alcança

mas se você por acaso
de pés descalços
vier ao meu encontro
me der um abraço
um beijo, um carinho
quem sabe a vida seja melhor

e juntos veremos o anoitecer
e juntor creremos no amanhecer

sobreviver não
o valor da vida é clara
viver sim
eu pulo o muro, te dou a mão
e juntos voamos.

Gunnar Vargas

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PARABOLICANIZADOS

No "sofado" estão todos:
Parabolicanizados.

Gunnar Vargas

 

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OGUM

O mundo é minha casa,
quero o mundo inteiro aqui

ele nasceu pra um dia vir a ser ninguém
pra dizer amém
todos juntos, muitos lutos, curtos a rezar
a grama vem de améns
agordou seguro de estar fazendo o bem
seguindo toda lei
o mundo inteiro grita aprocura de socorro
todo tão cedento e eu no meio dos seus olhos
o grito vem do alto, vem de cima dos seus morros
a batucada gira minha cabeça vai ao chão

Oxalá meu grande pai
sou seu guerreiro, sou sua espada
sou seu caminho, sou sua mata

Yemanjá cresceu do mar
pra me mostrar:

que o mundo é minha casa.
quero o mundo inteiro aqui.

Gunnar Vargas

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PACOTE PADRONIZADO

Não estou interessado
no pacote padronizado
no sofá, tv e contrato
no crachá, rg e retrato

imitações da vida real
impostos da vida normal
uniforme, paletó e gravata
tenis, jeans, futebol e cachaça

minha realidade não é a sua
meu amor não vive na lua
não sou movido a pão e circo
tento viver o momento risco

não minto se sinto o momento vivo
corro perigo, condição resisto
conquisto meu coração, mastigo
e agora futuro, quem é antigo

quem te devora, será teu pai
será que os deuses ao mundo trai
a vida que move morre sempre
e o mundo que gira, será valente

será seu sonho o sonho do homem
ou vai tragá-lo no último gole
no suspiro final
o que será afinal.

Gunnar Vargas

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CORÇÃO CONSTANTE

Não tenho um coração constante
as vezes o seu pulsar se abala
por entre olhares dissonates
surpreende-se e desencalha
e corro solto pela rua

não tenho o amor por entre os dentes
espalha-se e incendeia a saia
e me persegue até seu ventre
até que o mundo inteiro caia
e volto sempre a tua procura

meu coração é traiçoeiro
sem perceber se amarra em outra
e perco o chão no abismo caio
flutuo até o novo amor
quem quer que diga que sou canalha

mas meu coração é assim mesmo
ama o momento é fogo em palha
as vezes morre e cai em pranto
mas se levanta e sacode a saia
não tenho um coração constante.

Gunnar Vargas

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