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Setor de InConFormática |
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TORPEDOS TROPEIROS contribuições para uma crítica da cultura cotidiana ou simplesmente |
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MANIFESTOS,
PROTESTOS uma página claramente enviesada! |
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Esclarecimento ( I ) Mais
que por qualquer outra página dos saites da Trópis, eu, Ralf
Rickli, nenhum
jovem de hoje seria tão leviano, e nenhum profissional tão troglodita Mas,
brincadeiras à parte, o seu conteúdo é absolutamente sério. Digo por quê depois da pausa para o Índice. |
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ÍNDICE Os textos
estão colocados em ordem retrospectiva, ou seja: |
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• Esclarecimento II (conclusão) |
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abr.2006 dez.2005 dez.2005 set.2004 mar.2003 dez.2001 abr.2000 1998 |
• Até o próximo crime (olhando um pouco além da emoção) • Esperamos ansiosamente pelo seu NÃO (ou Sim!) • Onde está a saída dos problemas • Mestres humanos ou crias de Frankenstein • Manifesto Pé-no-Chão ao 3.º Setor no Brasil e coisas semelhantes • O Manifesto do Reencantamento do Mundo •
Quem avisa amigo é
- carta aberta ao (ex)presidente • Os rebeldes programados da Dona Burguesia |
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Uma
das principais observações dos anos lidando com o convívio humano é
que Na
verdade, as opressões não-percebidas são a regra, são Resulta
que não há como gerar consciência sem ser no mínimo incômodo
- e, assim,
- pois só da consciência surge responsabilidade, e só da
responsabilidade Alguns
dos textos colocados nesta página foram longamente pensados como
artigos Alguns soam poéticos, outros só grosseiros mesmo. Todos, por enquanto, são de
autoria minha ou literalmente nossa - como o Há
contribuições de outros autores que caberiam bem aqui, e dentro de
algum tempo Bom proveito! |
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Até
o próximo crime |
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2
mensagens
distribuídas na internet
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Sim,
eu também chorei ao observar a cena, detalhadamente, na minha tela
mental Mas
está difícil conviver com a enxurrada de mensagens e manifestações Sim,
estou falando da brutal morte de um garotinho de 6 anos arrastado por 15
minutos dependurado do carro da família tomado por jovens assaltantes
num subúrbio do Rio de Janeiro. A
maior parte das mensagens clama pra que os governantes façam algum
coisa, e rápido. E, talvez para não se sentirem omissos, muitos
até sugerem o quê. Na
copa todos viram técnicos de futebol, nestas horas todos sabem a solução
– geralmente jurídica e/ou policial. Talvez alguns até ousem acenar
para o pedagógico, o que é um passo mais avançado – mas sou o
primeiro a concordar que insuficiente. Pedem
leis mais severas – coisa que nunca inibiu e nunca inibirá os dois
tipos de gente que comete os crimes mais bárbaros: os psicopatas
perversos (distúrbio neurológico) e os que não têm nada a perder. Pedem
o “fim da impunidade”, como se os presídios já não estivessem
estourando de gente que cometeu crimes da natureza desse assalto, e
muito piores, apenas sem a infernal “ajuda” do acaso que acabou lhe
conferidno tamanha visibilidade. Esperam
talvez que se invente um detector de criminosos potenciais, capaz de
identificá-los nas ruas antes que cometam qualquer crime. É provável
que saibam que a ciência diz que uma corrente sempre arrebenta no elo
mais fraco... mas seguramente não sabem que a Teoria do Caos demonstrou
que o único modo de a ciência saber com certeza qual é o elo
mais fraco é tracionar a corrente até arrebentar – e depois ver
qual foi o elo que arrebentou... Não
sei se algum dia haverá como superar totalmente o risco dos psicopatas,
que sempre existiu. Mas depois de 14 anos trabalhando e vivendo com
jovens de periferia talvez saiba dizer alguma coisa sobre “gente que não
tem nada a perder”. Mas
não pensem que depois desses 14 anos eu sugira que levemos mais uma
colherinha de açúcar para adoçar o mar. Que
nós continuemos a acreditar que a chave do progresso é um sistema de
geração de riqueza que não tem como funcionar sem que haja sempre uma
considerável massa de desempregados de reserva, e que esse desemprego
em massa gere vastas regiões onde crianças crescem sem chance de
nenhuma amostra do que é bom, belo e verdadeiro – ... pois inclusive na mais tenra idade toda pré-escola que se lhes pôde oferecer foi uma tevê sabiamente orientada pelas leis do livre mercado... ...
em que o entretenimento-padrão era assistir crimes bárbaros um após o
outro, horas, dias e anos a fio, resultando em imbecis incapazes de
perceber o mínimo valor numa vida humana, nem distinguir o encenado do
real – e isso só para começar... ... não,
isso tudo não tem nada a ver com o caso não. Dizer que o sistema
capitalista é o culpado é coisa de dinossauros, o muro de Berlim já
caiu, a história-como-busca acabou, já vivemos no melhor sistema possível.
Moderno
mesmo é procurar um bode expiatório e pregar na cruz. Aí poderemos
dormir tranqüilos. Até
o próximo crime. |
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Palavras que acompanharam a segunda
mensagem (21/02):
Prezados - espero de coração Acontece que VOCÊ estava entre as
pessoas que receberam meu texto de 11/02 (Até o próximo crime),
Ralf Rickli
Pedagogia e Filosofia do Convívio Comunicação Transcultural
|
Para
uma missa de 14 dias numa 4.a feira de penitência 21.02.2007
Ah,
se fosse assim tão simples! Se houvesse pessoas más em um lugar,
insidiosamente cometendo más ações, e se nos bastasse separá-las
do resto de nós e destruí-las! Mas a linha que divide o bem do mal
atravessa o coração de todo ser humano. E quem se disporia a
destruir uma parte do seu próprio coração? A.Soljenitsyn
(apud Zweig e Abrams,
Ao encontro da sombra) Nada,
jamais, pode ser entendido a menos que olhemos por muitos lados, dos
quais alguns serão sempre aparentemente contraditórios (ver
p.ex. a Teoria da Complexidade de Edgar Morin).
O que estou fazendo aqui é compartilhar alguns ângulos que até
agora não vi explorados na imprensa nem nas mensagens da internet,
sobre a morte do menino João Hélio em 07.02.2007 e sobre o seu
contexto. 1. O alcance limitado das leis Por
um lado, não há dúvida de que muita coisa pode e deve ser melhorada
nas leis brasileiras. Por
outro, é absoluta ilusão imaginar que exista alguma melhoria possível
no aparato de leis e no sistema repressivo que possa dar garantia
de que um tal crime nunca venha a ocorrer. Podemos tentar reduzir as
probabilidades, mas alguma possibilidade sempre restará, como parte
das incertezas inexoráveis da existência. Um
dos mais fortes clamores logo após o crime foi por “providências
imediatas das autoridades”, como por algo de novo. Na realidade as
providências cabíveis já estão previstas nas leis, e são
precisamente as que foram tomadas: a prisão, em poucos dias, de todos
os responsáveis. Quanto
às leis que serão aplicadas no processo que se seguirá, é provável
(como já disse) que possam ser bastante melhoradas - mas de nenhum
modo se pode dizer que sejam brandas. E pensar que qualquer
endurecimento adicional pudesse ter impedido esse crime e outros
semelhantes, isso é acreditar em varinha-de-condão. Além
disso, pensar que as leis devam ser mudadas a cada crime que chega a
acontecer, “pois, se as leis fossem acertadas, os crimes não
aconteceriam”, é falar com um desconhecimento de causa atroz; com
uma leviandade que, sobretudo quando reforçada pelo poder
formador de opinião da grande imprensa, chega ela mesma a ser
criminosa. 2.
Há algo de novo nesse crime? Paulo
Coelho referiu-se a esse crime como sinal de o quanto estaríamos nos
aproximando do “mal absoluto”. Por melhores que sejam as intenções,
isso também não passa de fantasia que termina por nos obscurecer a
percepção do real, e com isso termina atuando no sentido contrário
das boas intenções. Por
triste que isso seja, não há novidade nenhuma em um crime assim na
história humana. Os mais antigos textos da humanidade, inclusive o
Velho Testamento, estão repletos de relatos das maiores atrocidades
cometidas por “dá cá aquela palha”. Dostoievski gasta algumas
das mais profundas e quase insuportáveis páginas de Os Irmãos
Karamázovi relatando as mais bárbaras atrocidades contra crianças,
muitas delas cometidas pelos próprios pais - baseando-se para isso em
notícias dos jornais da época. Eu
gostaria, aliás, de poder dizer que a atual indignação diante de
crimes assim fosse um sinal de estarmos, ao contrário, nos deslocando
na direção do bem... mas creio que também seria ilusão: por
um lado, como em certos relatos bíblicos, a indignação em si justa
continua levando a reações que são às vezes tão ou mais iníquas
que o crime original. Por
outro, porque a violência física e/ou psicológica contra crianças
(sem nem falar agora de outras categorias de violência) continua um
dos fatos mais comuns do nosso cotidiano – e embora com não muita
freqüência, não se deve desconsiderar que tal violência às vezes
chega a resultar em morte (direta ou indiretamente, como suicídio). Mais
significativos, porém são os aleijões psíquicos
resultantes, encontrados na maior parte da população (isto é:
de nós), os quais são sem sombra de dúvida uma das
principais vertentes que alimentam a probabilidade de crimes como o
perpetrado contra João Hélio. A
inequívoca culpa da instituição “família”, como a conhecemos,
está sobejamente demonstrada por gente como Ronald Laing ou Arnaldo
Rascovsky, mas preferimos continuar nos fazendo de desentendidos,
dizer que tais estudiosos é que são mentes doentias e – como faz o
Estatuto da Criança e do Adolescente – fantasiar que a família
como a conhecemos seja parte da solução, e não do problema. No mínimo
por essa gigantesca mentira somos sim todos culpados - desta
vez concordando no genérico com a formulação de Paulo Coelho. 3.
Coloque-se no lugar por um instante O
ser humano é incapaz de compreender o que quer que seja a não ser
quando se coloca “no lugar de”. Isso não necessariamente
significa perdoar! – mas entender é essencial mesmo quando não
seja para perdoar. Neste
caso é evidente que a intenção inicial do grupo criminoso não era
matar nenhum garotinho: era roubar um carro, fazendo o que fosse
necessário para isso. Não são mais monstros do que milhares e
milhares que continuam por aí com intenções do mesmo tipo. Nem
um pouco mais, aliás, do que um especulador de bolsa que tira
vantagem de quebrar um país, mesmo sabendo que milhares de crianças
irão sofrer ou mesmo morrer em conseqüência disso. Por
que os ladrões não pararam ao perceber que o garotinho estava lá?
Uma, porque haviam saído para a guerra; e a diferença entre
essa violência e outra qualquer mais comum (como por exemplo atirar
na mãe diante da criança) termina desaparecendo na embriaguez do
calor da batalha. (Ou será que também não é verdade dizer “na lucidez
do calor da batalha?” Pois trata-se de um estado endógeno bastante
semelhante ao do efeito da cocaína - lucidez de raciocínio com
supressão dos sentimentos -, droga presente em boa parte das decisões
de altos executivos, como as referidas no parágrafo anterior. Para
concluir este aspecto: me pergunto como é que não se está vendo
que, sendo os ladrões quem eram e vivendo onde viviam, era evidente
para eles a altíssima probabilidade de serem imediatamente linchados
se parassem o carro para soltar o menino! 4.
Onde concordo com a insuficiência das penas - porém de outro
jeito... A
irmã de João Hélio falou que os criminosos devem “pagar
pelo que fizeram”, independente da sua idade. Natural que o diga, é
quase uma criança. Mas alguma pessoa madura pensará que há no mundo
preço capaz de pagar pela vida de uma criança? Desculpem,
mas, se pensar isso, é que ainda não está madura, mesmo que
tenha 60 anos! A
idéia de justiça como castigo ou punição é uma infantilidade ou
primitivismo que precisa ser superada o quanto antes. Há só três
sentidos racionalmente consistentes na aplicação de penas (palavra já
em si inadequada): (1) a tentativa de reeducação ou de terapia
do criminoso, tanto quanto possível; (2) quando possível, a
reparação objetiva do dano (por objetiva quero dizer: de valor não
meramente simbólico), o que em si também é parte do primeiro
sentido (reeducação ou terapia); (3) quando impossíveis os casos
anteriores, o isolamento continuado do criminoso, não como punição
mas como proteção ao restante da sociedade. Em
artigo na Folha de S.Paulo em 15/02, o psicanalista Contardo
Calligaris dirigiu sua usual lucidez contra a hipocrisia que nos
impede de aceitar essa realidade: independente de sua idade no momento
do crime, o ser humano psicopata precisa ser isolado e tratado até
que possa ter alta com considerável segurança – o que pode levar
10 anos, ou nunca acontecer. Isso
equivale a dizer que precisamos, sim, contar com a instituição
da internação perpétua - e também com a internação de menores
por mais de três anos. Contardo tem razão: negá-lo é irracional e
hipócrita. Porém... É
importante perceber a imensa diferença entre esta posição
conquistada por conhecimento e por racionalidade, e aquela outra que
prevê aparentemente as mesmas coisas com o caráter de castigo.
No mínimo porque estamos falando de tentativas de terapia e/ou
reeducação reais, quando cabível, não dos simulacros
usuais. E de, quando a recuperação não for possível, de internação
em condições humanamente dignas – que de nenhum modo facilitem a
continuidade das ações criminosas (como os famosos celulares) mas,
sim: em condições humanamente dignas. Pois não se trata de castigo
nem de punição, e sim de proteção universal a todos os seres
humanos: tanto aos que estão fora, como à pessoa do próprio
criminoso, a ser protegida de seu próprio lado destrutivo quando
insuperável. 5.
"Nós" e "eles": o lado mais delicado da questão Tudo
isto, porém, esconde ainda mais uma questão – uma questão tão
profunda, tão grave e que o país denega tanto, que sei que
corro o risco de ser eu acusado de doente por tentar
expor a doença denegada (em termos psicanalíticos, aquilo que
negamos que existe, e em seguida negamos até que tenhamos
negado... pois... afinal... “não existia nada lá para ser
negado, não é mesmo?”) A
maior parte das propostas partem do pressuposto de que há grupos
nitidamente separados na sociedade: “os cidadãos de bem” e “os
bandidos” – ou pelo menos um grupo do qual às vezes sai um crime,
mas é exceção, e outro do qual saírem crimes é a regra. Dois
grupos que seria possível identificar com clareza – pois se não
como se poderiam tomar medidas de precaução, como se quer? Trata-se de uma operação muitíssimo bem conhecida na psicologia, sobretudo na junguiana, com o nome de “projeção da sombra”. No fundo todos sabemos que somos capazes do mal, que somos todos capazes de todos os crimes – mas negamos ter em nós a parte que seria capaz disso. E
então escolhemos um outro que pareça bem diferente de nós, e
imaginamos: “se existem no mundo tendências ao mal, elas
estarão lá, no que é bem diferente de mim. Em mim e nos meus
não há nada disso não!” Não importa quem esteja falando, o mau
é sempre o outro, nunca eu! Somos uma imensa sociedade de “eus”
inocentes e de “outros” culpados... É
óbvio que o outro também tem sua própria fração de maldade: é humano!
Mas a maldade que eu imagino estar vendo nele não é a dele: é
a minha, que eu nego ter. E
isso se torna especialmente perigoso quando passa à dimensão grupal,
ou ao imaginário social: arianos e judeus, hutus e tutsis,
“cidadãos de bem” e “bandidos em potencial”. Não
cabe detalhar aqui os meandros históricos do caso brasileiro, o que
daria diversos livros (e já tem dado; ver p.ex. o de Roberto Gambini)
– mas grosso modo as classes alta até média-média
(fortemente minoritárias) se identificam como “os cidadãos de
bem” e projetam no restante da sociedade (a grande maioria) a imagem
de “bandidos em potencial”. Como
já disse no artigo inicial, falo a partir de 14 anos de trabalho e
convívio íntimo com moradores de favelas e situações semelhantes
– ou seja: “bandidos em potencial”. Alguns de inteligência e
sensibilidade refinadíssimas e com as mais nobres escolhas de vida...
mas pela generalização corrente todos “bandidos em potencial”. É
daí que sei que as medidas que os “cidadãos de bem” costumam
exigir terminam significando apenas um aumento da tensão e do risco
de arbitrariedade sobre uma população que já é a principal vítima
da situação toda, uma população que convive no dia-a-dia, anos
e décadas a fio, com um grau de sofrimento que os senhores “cidadãos
de bem” não conseguem nem supor que seja possível alguém agüentar
dois dias. Mas
quem é essa população? Deixemos
a hipocrisia de lado: são basicamente os descendentes de (1) os
ameríndios expropriados de suas terras e culturas a partir de 1500;
(2) os africanos escravizados e depois abandonados sem condições
de recomeçar, sob o nome “libertação”; (3) os brancos que
não tiveram competência (ou insensibilidade?) suficiente para
garantir seu lugar entre os que se aproveitaram dessa situação. A
mera existência dessa população é um lembrete incômodo de que, em
nosso país, TODO o bem-estar de que alguém desfrute vem assentado,
alicerçado, nesses dois vastos crimes fundadores. E
aí precisamos desesperadamente esquecer que nosso bem-estar se alicerça
no mal, precisamos desesperadamente mostrar que o mal é característica
exclusiva deles lá, não nossa. (Que
um pitbull que guarda propriedades dilacere uma criança na rua - como
já aconteceu... isso causou algum apelo por pena de morte aos
proprietários irresponsáveis de pitbulls?) Para
concluir: a pesquisa genética já demonstrou que a população branca
brasileira só tem cerca de 1/3 de gens brancos pelas linhagens
maternas: os outros 2/3 são mais ou menos igualmente divididos entre
gens ameríndios e africanos. O
mais trágico dessa situação toda é então o patético esforço de
negar em nós, “os de sucesso”, qualquer parentesco com “essa
gente lá”, traindo o que trazemos em nós de nossas avós, bisavós,
tataravós. Como
lidar com isso? Não é assunto para um fim de artigo! Talvez para
outro artigo, porém mais realisticamente para uma série, uma obra, várias
vidas... Me
limito agora a declarar, com a mais absoluta convicção, que não
haverá melhora no país, por séculos, a menos que “os de cima” se
assumam como os iguais e irmãos “dessa gente” que de fato são;
...
a menos que desistam inclusive de mentir que pretendem incluir “os
de baixo” no seu projeto “de cima” (o que é evidentemente
impossível, nem o planeta o suportaria!), e passem a se incluir
junto aos de baixo num vasto projeto único de busca de
bem-estar para todos... (...
o que talvez devesse começar por abandonar a segregação dos seus
filhos nas escolas particulares). Isso
jamais? Ah, então não se queixem das conseqüências, senhores! A
escolha foi vossa! Da
minha parte estou aqui tentando fazê-lo em respeito aos evidentes traços
indígenas da Dona Zica, minha avó (sempre negados na família...) e
à linhagem de valentes escravas e pós-escravas emprenhadas por
filhos de senhores, de onde saiu meu avô Seu Aníbal... (e, de resto,
a tudo o que o mato tenha conseguido gerar de caboclo nos suíços
Rickli em 138 anos). Porque
aqui, descalço neste chão e com os ancestrais vibrando em mim, eu
ainda consigo sentir um pouco de esperança. Nas justificadas prisões
que são esses apartamentos de luxo pretensamente globais, não há
mesmo outra coisa a enxergar a não ser crescente desagregação. Culpa
de quem? |
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Esperamos
ansiosamente pelo seu 'NÃO' |
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uma em forma de mensagem
a
de todos os tipos, Escrevi esta mensagem como:
- porém não como coordenador ou representante oficial da Trópis, 03.04.2006
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Esta mensagem vai para dizer o quanto espero pelo seu NÃO! Mas não me entenda mal: gostaria ainda mais de receber um SIM aos convites ou propostas que eu tenha lhe enviado - mas, se isse não for possível, que venha logo o "não", ou pelo menos um "aguarde, estou/estamos pensando no assunto". Todos nós sabemos: na cultura brasileira a palavra "não" é tabu, não pode ser pronunciada... Existem coisas maravilhosas na cultura brasileira, outras terríveis, geralmente as derivadas da escravidão - especialmente a desvalorização do trabalho físico e o tabu quanto a expressar desacordo, ou seja: dizer "não". Ora,
é claro que uma vida só de concordâncias não é possível!
O que precisamos é estar de acordo que não ficaremos de mal
por discordarmos aqui e ali, pois ali e aqui também concordamos!
Mas se não sabemos dizer "não", boa parte da vida se torna
apenas um cenário, ... e fica complicadíssimo viver, porque nunca sabemos com certeza sobre que pedra podemos construir, porque é real, sobre qual não podemos, porque é cenário.
Dá para escrever uma tese inteira sobre as implicações das duas, mas... - não, não se assuste, não vai ser aqui! Por agora queria apenas que você, de coração, sentisse, como eu, que nada vai melhorar e que nossas mais lindas intenções e discursos viram farsa nociva se não aceitarmos o desafio de transformarmos nossa cultura nesse ponto. Afinal, qualquer uma das formas de não dizer "não" é um meio de fazer nossa vontade prevalecer sobre a do outro deslealmente, sem o ônus de lutar ou de carregar qualquer responsabilidade por isso. Exemplo típico é o "cozinhar em água fria": não digo o que quero nem o que não quero, nem dispenso o outro, mas vou levando até que ele não agüente mais e tome uma atitude - muitas vezes uma explosão em desespero de causa, para não "ter um treco" - e aí eu consegui o que eu queria... deixando a responsabilidade ou culpa recaírem sobre ele. Outra razão comum é tentar evitar que me fechem portas embora eu não assuma nenhum compromisso de entrar. Ou seja: tentar não excluir de antemão possíveis vantagens que talvez possa haver no futuro - não me importando um mínimo com quê prejuízos minha indefinição poderá causar nos processos do outro. Por inofensivas que essas coisas pareçam, olhadas com cuidado as palavras que lhe cabem não são menos que "manipulação" e "opressão". E por essas e outras é que dizemos sempre que a única coisa capaz de melhorar o mundo será "uma revolução ética na micro-estrutura do cotidiano". |
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Mas não quero terminar sem comentar a forma mais moderna, aparentemente elegante, profissional e clean que a mesma coisa vem assumindo agora, especialmente em São Paulo: julgar que é aceitável, entre dois seres humanos, não responder nada quando outro nos dirige a palavra. Agir como se o outro não existisse - coisa que jamais foi considerada decente ou aceitável em nenhuma cultura humana. Em alguns lugares e épocas, fazê-lo seria o mesmo que convocar um duelo de vida ou morte, quem sabe uma guerra de clãs - e mesmo os ingleses, tantas vezes tão friamente soberbos, eram tradicionalmente ensinados a nem abrir uma carta se já não tivessem em mãos papel, pena e tinta para a resposta.
Ora, com 200 mensagens diante mim, na verdade 1 ou 2 minutos são suficientes para reconhecer quais são anúncios, quais têm caráter de comunicação pessoal. - A outra é:
Ora, na verdade todo mundo sabe que (como dizia sempre minha mestra de piano, Ingrid Seraphim): "ter tempo é uma questão de preferência", e se o outro tomou do seu tempo para dirigir a palavra a mim - porque viu razões para isso - o que me dá o direito de achar que isso não custou nada a ele, ou que só o meu tempo tem valor? |
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Claro, é evidente que tenho todo direito de preferir não interagir com fulano. Mas se ele me dirigiu a palavra pessoalmente, a coisa menos brutal que posso fazer é dizer "não, obrigado, não quero", ou no mínimo (se for verdade) "agora não". Isso parece brutal? Brutal mesmo, indignamente brutal, degradantemente brutal, é fingir que não ouviu... ... atitude que, como já disse, nunca foi aceita nas culturas tradicionais da humanidade - nem pode ser aceita por ninguém que se proponha a cultivar uma vida humanamente digna.
Deixo claro então que dou meu já conhecido "berro" como ato revolucionário: um ato consciente de não-aceitação e denúncia de uma mais que grosseria, de uma forma de violência que se conta entre as principais responsáveis pela degradação do convívio humano, pelo estado de desrespeito recíproco surdo, invisível, porém constante que nos acostumamos a considerar natural! |
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E o outro caminho é tão simples... Não quer aceitar meu convite, minha proposta, meu projeto? Por favor, diga "não". Isso me deixa livre para procurar outro parceiro, outro caminho. Não tem certeza de que quer dizer "não"? Por favor, diga isso - ao mesmo tempo que propõe (a mim e a si) um prazo para sua decisão. Diante disso também posso desenvolver no mínimo um planejamento relativo ou condicional das minhas ações.
Deixando claro, porém, que não é que morramos de amores pelo "não": quando você disser "sim" seremos mais que gratos, seremos exultantes - e iremos logo procurar, juntos, alguma maneira de celebrar! Afinal,
é por uma vida de verdade que lutamos
(e essa luta |
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ONDE ESTÁ A SAÍDA DOS PROBLEMAS |
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da Associação
TRÓPIS no Natal de 2005 |
Quando
algum amigo ou amiga diz que está enfrentando problemas, Mas geralmente o assunto não termina aí: muitas vezes vemos claramente que essa pessoa encontrará soluções para os seus problemas - ou pelo menos encaminhamentos para eles - se parar de tentar enfrentá-los diretamente, no seu campo de batalha de sempre, e vier nos ajudar a enfrentar os nossos problemas (ou os de outras pessoas ou grupos que trabalham como nós na reinvenção da possibilidade do Convívio Humano). Aí
fazemos o convite: "olha,
a solução que você procura pode estar aqui, E aí... nosso
amigo ou amiga se desculpa: "eu
gostaria muito de poder ajudar, mas agora não dá. Não
sei se ela ou ele realmente acredita que um dia estará
de fato sem problemas, como condição para ajudar os outros -
o fato é que segue lá, se batendo sozinha(o) com problemas ... e nós seguimos aqui com os nossos, apesar da nossa boa disposição! Quando é que vamos todos acordar para o fato de que O NOSSO DESTINO NOS FALA SEMPRE ATRAVÉS DAS NECESSIDADES DOS OUTROS QUE PÕE EM NOSSO CAMINHO? Quanto mais cuidamos da nossa vida a partir de razões puramente nossas, isoladas, menos livres nos tornamos: mais e mais ficamos na dependência da "proteção" do "sistemão" monstruoso da vida moderna - que cobra "apenas" a transfusão da nossa Vida para suas veias, e de nossas almas para seus nervos metálicos. |
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Nesta
época do ano ...
mensagem sem o menor laivo de beatice ou ingenuidade SOLIDARIEDADE LIBERTÁRIA. Afinal, se é verdade que o Divino se encontra em semente em cada ser humano individual, o fato é que tal semente nem ao menos germina senão quando inserida no terreno que é a VIDA CONJUNTA (humana e dos demais seres da Terra e do Universo): tornar-se divino é assumir responsabilidade pelo sustento e bem-estar de algo além de si. Eis aqui, então, o nosso presente de Natal: TEmos um monte de problemas esperando por você! Mas
só os oferecemos porque sabemos que
frente aos seus problemas Que tal aprofundar nosso envolvimento em 2006?
Beija-Flor: foto de Carlinhos do Santos incluída na mensagem original |
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Mestres humanos ou crias de Frankenstein |
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Trabalho
de 64 páginas Nesta
página: |
O trabalho com o título acima nos ocupou quase integralmente por 70 dias de 2005, e é uma proposta positiva para os cursos de formação superior de professores e outros profissionais da Educação (hoje divididos em Pedagogia, Licenciaturas e Normal Superior). Tal proposta positiva só faz sentido, no entanto, no contraste tanto com os modelos já estabelecidos quanto com as novas diretrizes baixadas pelo Conselho Nacional de Educação. Desse
modo, uma parte do trabalho foi a análise crítica de uma das últimas
versões de trabalho dessas diretrizes, distribuída no mundo
pedagógico brasileiro em setembro de 2005 Para
dar idéia, transcrevemos aqui os títulos de capítulos da seção em
questão, 1.2.1. Manejo deficiente da lógica - ou a ruptura cérebro-cabeça 1.2.2. Confusão entre levantamento histórico e justificação 1.2.3.
Curso de Pedagogia, licenciado, disciplinas pedagógicas: 1.2.4. Confusão quantidade-qualidade; o autotratorvião 1.2.5. Ideologização das contribuições integrantes 1.2.5 e meio: Um meio passo adiante 1.2.6.
Desonestidade nuclear: o punhal nas costas das habilitações Para o download clique ou vá até |
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Ensinar a pescar ? |
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Escrito
de chofre e divulgado enquanto
escrevia o artigo
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Não me venha com esse papo de me ensinar a pescar. Essa não é minha profissão e não pretendo que um dia venha a ser. Ademais, não estou pedindo que você me doe esse peixe, estou pedindo apenas que me entregue alguns do que pescou em troca das redes que fiz , das varas que preparei, das trilhas que abri no mato até o rio para você pescar |
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MANIFESTO
PÉ-NO-CHÃO |
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divulgado em 12.03.2003 na Lista FundBR (ponto de encontro internético de captadores e outros interessados em captação de recursos para o Terceiro Setor) |
Não duvidei: era o óbvio. Mas nunca achei
que as receitas tradicionais, nem da direita nem da esquerda, dessem conta da
realidade. Professores politicamente avançados também podem ser mortalmente
chatos, destruindo nos alunos todo prazer de conhecer – e sabemos quantos
desastres tanto o Oeste quanto o Leste impingiram ao meio ambiente. Por isso
sempre fui atrás do alternativo: no conhecimento, na agricultura, na
educação, na administração... Nessa busca fui parar na Inglaterra, onde
deparei com Judy Hurley (depois Bloomgardener), egressa de quantos movimentos
alternativos norte-americanos se possa imaginar: anti-nuclear, feminista, de
agricultura orgânica... Assim que voltei, minha mestra quis conhecer
o Brasil. Preparei cuidadosamente uma agenda visitando tudo o que me pareceu
alternativo no novo país que eu encontrara (pós-abertura Geisel). Judy passou
zunindo por tudo aquilo e poucos dias depois estava profundamente envolvida com
as Comunidades de Base da época (1982) – que me pareciam então de um esquerdismo
tão convencional e pouco... “alternativo”... Diante da minha surpresa, Judy deixou claro
entender que uma alternativa que não se referisse à absoluta maioria da
população do país não era alternativa nenhuma, era pura imitação de modelos
externos. Seu trabalho, na realidade norte-americana, havia sempre sido
política de base. A política de base aqui seria outra, de acordo com as
urgências locais. (Depois disso Judy coordenou por alguns anos o movimento
Abraço, nos EUA, pelo cancelamento da dívida do Terceiro Mundo, antes de se assentar
como terapeuta de refugiados...) |
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Revejo o caminho mais uma vez: 1968: eu, com
11 anos, olhando fascinado de longe as cores do movimento hippie... Depois, com
20 e pouco, me engajando quando esse já tinha virado “movimento alternativo”...
Pra me contarem, aí pelos 40, que eu era parte do “terceiro setor”: iniciativa
da sociedade civil com objetivos sociais. Hoje não dou conta de ler os inúmeros boletins e anúncios de seminários que me prometem ensinar como cuidar do Terceiro Setor com as ferramentas da Administração de Empresas – ou então como cuidar da Administração de Empresas com ferramentas, digamos, alternativas (p.ex. meditação). Tudo incrível, maravilhoso. E inacessível a quem vem há anos
tentando desenvolver, no nível do chão, “sem parentes importantes e vindo do
interior”, alternativas reais para jovens que encontram limitações
econômicas na sua busca de desenvolvimento humano integral. |
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O
número absoluto está obviamente superado A expressão em porcentagem é provavelmente próxima da realidade, e hoje não apenas para o Brasil mas para o mundo como um todo ... fato que talvez se possa relacionar com o rótulo "brasilianização da sociedade", criado por sociólogos e economistas de outros países na década de 1990 ou pouco antes.
Longe
dessa grita, Manuel
Bandeira,
em Os Sapos (1918) Este é o fim do poema, que antes descreve uma competição de falas vaidosas entre os mais variados sapos (referência não explicitada na primeira divulgação deste texto) |
Colegas: pelo menos 85% dos brasileiros, 145
milhões, “encontram limitações econômicas nas sua busca de desenvolvimento
humano integral”. Sim, não menos – se isso inclui, p.ex., um bom
psicoterapeuta,
um ensino inspirador, um pão integral sem resíduos tóxicos... um bom seminário
sobre cooperação. E as alternativas maravilhosas que cintilam
na internet, atingem a quantos deles mesmo? Ou, mesmo que pretendam, quanto do
investido chega ao nível do chão, quanto fica pelo caminho remunerando a tão
decantada profissionalização do terceiro setor? A qualidade dos serviços sociais
profissionalizados agora encanta nossa sociedade esclarecida – na forma de
balanços e relatórios bem escritos! Quem vai lá conviver com os atendidos alguns
dias e sentir a qualidade do conteúdo do trabalho? Os meios adoram tomar o lugar dos fins, e o
acessório custa várias vezes o essencial. Pois já o “investimento” requerido pelos cursos que prometem ensinar uma pessoa a gerir adequadamente a relação custo-benefício nas iniciativas sociais, esse investimento é com freqüência um múltiplo qualquer do valor com que a iniciativa, de um jeito ou de outro, fazia mensalmente o milagre de atender umas dezenas de crianças, ou algo assim.
Quanto altruísmo da parte de profissionais que deverão abrir mão da maior parte
do retorno desse investimento! Ou... ? Pois é, uma suspeita chata insiste em zunir
em volta da minha cabeça: essa tal profissionalização do terceiro setor não
seria apenas um mercado de trabalho alternativo vislumbrado pelos profissionais
da área econômico-administrativa, pressionados demais no seu próprio setor –
porém menos preocupados com os efeitos sociais últimos de sua atuação que com o
preço da banana no interior da Nova Guiné? Mas não, não, imagine se uma coisa dessas
seria possível, longe de mim tal interpretação maldosa! De um modo ou de outro, fica cada vez mais
difícil, a simples cidadãos que quiseram tomar uma iniciativa social, conseguir
realizar alguma coisa, ou mesmo sobreviver, nesse mundo tão profissional! Não dá
mais pra ser cooperativo a não ser competitivamente! Mas como sempre houve gente estranha nesse
mundo... ainda estamos aqui... sapo cururu... na beira do rio... à espera de
colaboração... da cessão de uso de bens, como sempre cedemos... da doação de
serviços, como sempre doamos... ou de sua execução por remuneração simbólica,
como a que qualquer professor de escola pública recebe mês após mês... fazendo
de um modo ou de outro nossos pequenos milagres... neste país exótico aqui
embaixo, onde ainda se anda com pés no chão.
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O Manifesto do Reencantamento do Mundo |
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Este
texto foi
escrito ... a partir do mote "Reencantamento da Educação" ...
surgido em conversas e aulas com os Profs.Drs.Marcos Ferreira Santos
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Jovens
e adultos,
crianças
e velhos de coração vivo, Acontece que
o suco da realidade está além do que pode ser reduzido a peso,
medida, preço. Salvar
Galileu e queimar Giordano Bruno deu numa civilização manca. Encantamento!
Não, não falamos de simulacros, de sonhos enlatados disneyanos Sábio é quem
com tudo se espanta (André Gide). Gente como Goethe e Aristóteles via aí Olhos de criança ávida de conhecer o mundo! Todo Ser Humano
é capaz de se encantar... |
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Foi lançado
como parte de uma campanha por Anabela Gonçalves no intervalo de um show da banda Provisório Permanente aquela noite
representada por
no Centro Cultural Monte Azul, |
É sério:
só com profissionais encantados teremos mundo onde valha a pena viver. Até que o
sonho realize cidades menos irracionais, até que os funcionários dos três setores
suicidem essa violência estéril chamada burocracia, até o último juiz enxergar que
condicionar Justiça a "excelências" e "meritíssimos" é
opressão indigna de subsistir num mundo digno de subsistir. Felicidade,
sim!, como objetivo da sociedade! O que é
preciso... é cultivar nosso jardim (Voltaire). Mirantes em
toda parte |
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A expressão Fique
de olho foi
usada como slogan da campanha, e Para
essa escolha, |
Não, não adianta disfarçar: jamais haverá encanto verdadeiro enquanto for privilégio de poucos.
Basta da falsidade do tal "princípio do proveito próprio" (Adam
Smith), ENCANTAMENTO PARA TODOS pode salvar você do tiroteio: muros e grades jamais. Sabemos
como. Balas não voam sozinhas: seres humanos apertam gatilhos
Mas no meio do tiroteio
colhemos flores – e plantamos.
Ainda no meio do caos recuperamos o poder de encantar-se com
estrelas, Devolver às
mentes as imagens seqüestradas do Bom, do Belo, do Justo, do Verdadeiro.
Que acima de tudo se devolva a cada
Ser Humano o seu direito máximo: |
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ENCANTAMENTO PARA TODOS pode salvar você
E SEUS FILHOS Sabemos
como.
Mas é preciso que uma parte dos seus carros novos Apóie
este impulso e demonstraremos sua realização – no tempo que você quiser: Começar a reencantar-se e a reencantar o Mundo: quem pode é VOCÊ. |
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QUEM AVISA AMIGO É
carta aberta ao (ex)presidente que jogou fora a chance |
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Este texto foi escrito e distribuído pela internet em 23.04.2000, domingo de Páscoa, sob o impacto dos acontecimentos do dia anterior. Na foto acima, o índio Gildo Terena tenta parar as tropas de choque que atacaram a caravana de índios que tentava chegar ao local onde o Presidente da República do Brasil celebrava os 500 anos de 'descobrimento' com convidados estrangeiros. Na foto abaixo, índios levantam símbolos cristãos e integram seu discurso aos ritos da Páscoa, em cerimônias paralelas às oficiais. As
duas fotos foram escaneadas |
Começo por esclarecer que não sou ligado a nenhum partido, Sr. Presidente. Sou apenas um cidadão brasileiro de 43 anos, classe média, que gastou todos os seus (modestos) recursos dando aulas a jovens da periferia de São Paulo sem que ninguém lhe pague para isso, por paixão e fé no povo brasileiro. Dia 22 fui "sentir a multidão" no show de Caetano Veloso e Dulce Pontes. Acostumado a esses shows no Parque Ibirapuera, estranhei que houvesse tanta tensão no ar. Pessoas pareciam a um passo de brigar por qualquer coisa - e de fato alguma latas e garrafas plásticas voaram, além de gritos. Mesmo gostando da música, havia um mal-estar difuso pelos rostos. Era evidente que a maior parte das pessoas queria ver um show, mas não queria que pensassem que estavam comemorando os 500 anos. "Comemorar o quê?", foi a pergunta da semana, nos jornais e nas ruas. Sou dos que acham que era preciso, sim, comemorar de alguma forma. Mas seria estúpido dizer "a multidão está errada". Bem mais inteligente é tentar entender a razão dos seus sentimentos. O senhor, como sociólogo, entende essas coisas. Observei, então, que nos momentos em que a música era claramente afro-brasileira (no show e a |