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O QUE TEMOS AQUI?
  • imagens escaneadas do 1.o livro impresso em Oromo (ou Galla), língua da Etiópia, em 1841 - o Evangelho de Mateus traduzido pelo missionário e explorador Dr. J. Krapf, primeiro europeu a ver o Monte Kilimandjaro. Uma das poucas cópias existentes está na biblioteca da Trópis (só sabemos de outra em Cambridge!).
    Em www.tropis.org/afro/krapf1.html 
  • uma apresentação sobre o livro O Dia em que Túlio descobriu a África, de Ralf Rickli (ver LOGO ABAIXO)

WHAT WE HAVE HERE

  • scanned images from the 1st book printed in Oromo (or Galla), an Ethiopian language, from 1841 - the Matthew Gospel translated by the missionary and explorer Dr. J. Krapf, the first european to see Mount Kilimandjaro. One of the few remaining copies is at the Trópis Library (we only know of another one in Cambridge!). - See it at www.tropis.org/afro/krapf1.html 
  • a presentation about Ralf Rickli's  book O Dia em que Túlio descobriu a África (The Day Tulio discovered Africa) - in Portuguese, with an English synopsis. (See below)

O Dia em que Túlio descobriu a África
 Para navegar pelo Túlio...
  Página conservada por razões artísticas (VEJA) e documentais. 
O projeto não se encontra ativo mais.
 
  Fundo: arte de Paulo Stocker inspirada no Templo do Leão em Naga, civilização de Kush 
À esquerda: capa da Edição Piloto, incluindo a mesma arte 

 

O que é...
  Estamos falando do livro
O DIA EM QUE TÚLIO DESCOBRIU A ÁFRICA
- um jovem brasileiro mergulha até a raiz das civilizações -
escrito por Ralf Rickli...

Originalmente este site continha um projeto, para publicar a 2.a edição, aprovado pela Lei Rouanet. Infelizmente não houve patrocínio, e agora o livro está esgotado. Mesmo assim convidamos você a conhecer aqui um pouco sobre o livro, e quem sabe mais cedo ou mais tarde conseguimos colocá-lo em circulação como havíamos pensado: a preços populares, ao alcance do Brasil inteiro.

UM PANORAMA DA HISTÓRIA

O fio-condutor do livro é Túlio, um rapaz afro-brasileiro que trabalha como
office-boy, é um ótimo estudante e mora em favela. Um dia sua atitude-de-vida positiva é abalada por uma experiência de violência e preconceito por parte da polícia. (Este ponto-de-partida é inspirado em histórias reais ouvidas pelo autor em situações de trabalho e amizade com pessoal de favelas).

Como resposta a sua perplexidade, Túlio se vê levado a uma viagem no tempo e no espaço por diferentes momentos da História real da África. Partindo da Dakar atual, cruza o antigo Império de Gana e vai à abertura de um Congresso Pan-Africano Transtemporal na Universidade de Sankuré em Tombúctu, no Mali (em 1500). Aí vem a conhecer toda uma constelação de personalidades da diáspora africana, desde a Arábia pré-islâmica, passando pela Rússia, até a América moderna.

Desses antigos reinos do Sudão a viagem prossegue pelo Saara fértil de 5000 aC e pelos primórdios do Império Egípcio. Aos pés da grande pirâmide (com seu revestimento original de mármore) o Dr. Cheikh Anta Diop, transformado em personagem, expõe suas teorias sobre a origem africana da civilização.

Passam-se os olhos pela antiga civilização kushita e sua siderurgia, em seguida subindo o Nilo até a região dos lagos e ao Monte Kilimandjaro. As teorias da origem do homem do Dr. Leakey são citadas aí com cautela, não só porque essa origem remota não é tão importante para o argumento do livro, mas também porque tais teorias científicas estão sendo sempre reavaliadas, e afirmações muito convictas correm grande risco de ser superadas em pouco tempo.

A cultura costeira de exportação e importação dos suahíli é vista junto com os problemas ligados à chegada dos europeus (representada aqui pela viagem de Vasco da Gama em 1498).

Visitam-se a civilização etíope e seu cristianismo peculiar, pouquíssimo conhecido fora do meio acadêmico, desde seus mitos de fundação até a espantosa arquitetura sacra de Lalibela.

Cuida-se de mostrar que a África engloba diversas correntes culturais e religiosas (tradicional, islâmica, cristã), não se limitando a apenas uma ou outra dessas.

Não se dá muito destaque à questão do tráfico de escravos, pois o autor crê que agora é tempo de destacar os aspectos mais positivos (e menos conhecidos) da História africana. Porém não se foge da questão: dois momentos na chamada Costa dos Escravos mostram o seu terrível impacto social.

Faz-se rápida referência à arte clássica nigeriana (Benin, Ifé, Nok). Não há grande detalhamento sobre a cultura iorubá justo pelo fato de ela ser tão importante no Brasil atual, o que exigiria uma abordagem mais especializada. Como útlima escala faz-se uma visita à comunidade de 'retornados brasileiros' em Lagos.

O Congresso tem encerramento na moderna Abidjan, onde o poeta brasileiro Cruz e Souza debate com Túlio a origem das favelas e o impacto do ocultamento e distorção da história da África sobre a auto-imagem dos afro-descendentes, especialmente os jovens. Num discurso de encerramento, a própria África apela pela unidade-na-diversidade, ao mesmo tempo em que apresenta a recuperação da memória africana como parte da luta por uma imagem verdadeiramente universal do Ser Humano.

Os últimos parágrafos encontram Túlio de volta ao seu ambiente original, agora com a capacidade de vê-lo como "apenas uma passagem de uma história muito maior, e ainda por continuar."

ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DO LIVRO

Na verdade são vários livros em um. Um multi-livro:

Por um lado é ficção, escrita com cuidado literário, e pode ser lida relaxadamente, por mero gosto.

Por outro, é um livro de História: quem quiser estudar, ou ensinar, encontra
uma ferramenta poderosa, reforçada por numerosas páginas de notas, bibliografia, ilustrações e mapas, e um índice remissivo completíssimo que o transforma em obra de consulta.

Enfim: com suas 232 páginas, é um livro sem similar em português,
e que pode ter um impacto social importante.

Por quê?
Porque aproximadamente 2/3 do povo brasileiro incorpora sem perceber, nas escolas e no dia-a-dia, a idéia de que carrega em si a herança de povos
atrasados (africanos e índios). Muitos vivem de mal consigo mesmo (sem confessar), acreditando que 'bom mesmo' é ter pele clara e olhos azuis, e que todo 'adianto' e civilização têm origem 'nos brancos' - ignorando que a verdade histórica é bem outra!

Isso nos rouba forças na hora de fazermos deste lugar o país que queremos - e merecemos!

Em mais de quatro anos observando a leitura dos originais e da edição-piloto, pudemos observar que "o Túlio", lido por jovens ou por mais velhos, é um livro que mexe com vidas. E mexendo com vidas pode e deve mexer com o país, e com o mundo.

A obra é dedicada pelo autor a sua trisavó Floriana, afro-brasileira (1835-1917), a seu bisavô Johann Ulrich, suíço-brasileiro (1837-1921), e à dignidade do futuro.

  Para navegar pelo Túlio (início da página)


Para navegar pelo Túlio (índice)

O que alguns já disseram do livro...
^ Revista Raça Brasil, seção Controle Remoto, dez.97
PESQUISA MOSTRA OUTRA ÁFRICA

   O livro inédito "O Dia em que Túlio Descobriu a África" mostra um lado totalmente desconhecido da cultura africana.
   Seu autor, Ralf Correia-Rickli (...) pesquisou um lado das civilizações negras que os nossos livros de história esqueceram.
   "A imagem que se tem da África é sempre primitiva. Por isso falo apenas de culturas que tinham uma vida urbana, comercial e intelectual antes da chegada dos europeus", diz Ralf.
   O fio condutor do livro é uma aventura de ficção. Mas o conteúdo histórico é fruto de três anos de pesquisa.
   "Uma pessoa de fora do meio acadêmico dificilmente teria acesso a estas informações", comenta o autor. (...)
   "É importante para a auto-estima do povo negro conhecer a riqueza de sua cultura ancestral", conclui.

^ FOLHA DE S.PAULO - Folhateen, 25.07.94
Revista
Livro Aberto, março-abril 98
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COMENTÁRIOS

    Depois de ler o livro do Ralf tive a sensação de estar realmente, como o Túlio, viajando pela África, graças aos ricos detalhes que o livro traz. Sem dúvidas esse é um trabalho que qualquer pessoa que queira estudar a África deve ter como leitura obrigatória. – Paula Mangolin, diretora.

^ Jornal do C.A. Paulo Freire, out. 97
^ Jornal USP, 24-30/11/97
   A África não pertence a um só tempo e nem sempre possuiu a mesma paisagem. O Dia em que Túlio Descobriu a África é uma obra que prima por descortinar espaços e tempos e por revelar o brilho de histórias a serem conhecidas, reconhecidas e difundidas.
   Túlio pode ser o autor, você ou eu, encantados com as fontes que nos ficam como pistas nessa viagem surpreendente.
   Trata-se de uma literatura a caminho de uma visibilidade tão necessária sobre a complexidade histórico-cultural africana. O acento sobre o caminho islâmico por entre africanidades é um risco, se receber alguma hierarquização frente às demais historicidades trançadas no continente.
   Nos resta torcer para que Túlio desça do tapete oriental e troque idéias e imagens com Idrissa, nesse prazer humano pelos descobrimentos.
^ HELOÍSA PIRES LIMA
psicóloga e cientista social, especialista em questões raciais na literatura infanto-juvenil, autora de
(entre outros) 'Histórias da Preta' (S.Paulo, Cia.das Letrinhas, 1998). NA ORELHA DA PRIMEIRA EDIÇÃO.
   Num passeio pelas antigas civilizações africanas, Túlio descobre os mais profundos mistérios de nossa raiz. Visita localidades da África antiga e moderna, como Tombúctu, Dakar, Benin, Egito, Etiópia... Participa de um congresso transdimensional, onde conhece personagens históricos de origem africana, como o violinista e espadachim Chevalier de Saint-Georges, os irmãos engenheiros André e Antônio Rebouças, o escritor Mário de Andrade, o poeta russo Púchkin, o cientista Cheikh Anta Diop, entre muitos outros.
   Escrita por Ralf Rickli, é uma história que destaca a importância, hoje omitida, que o negro teve para o surgimento da civilização atual. Põe o racismo contra a parede, criticando a imagem deturpada que muitos ainda têm dos negros e da África.
   Juntando ficção e dados verídicos, o livro relata as aventuras, desventuras, sofrimentos e alegrias dessa raça que muitas vezes nem tem idéia de quão gloriosa é sua História. Que este livro mostre a todos a resplandecente História dos povos negros e contribua para torná-la mais brilhante ainda!
^ ALEXANDRE VAZ
aluno da OCA residente na Favela Monte Azul, então com 14 anos, NA ORELHA DA PRIMEIRA EDIÇÃO.
Mais alguns amigos do TÚLIO, se você quiser perguntar...
  • Alfredo Boulos Jr., historiador
  • Benjamin Taubkin, músico e produtor
  • Betty Mindlin, indigenista. IAMÁ - Instituto de Antropologia e Meio Ambiente
  • Carlos Alberto Medeiros, africanista, do gabinete do senador Abdias do Nascimento
  • Denise Stoklos, atriz e teatróloga
  • Éle Semog, escritor e ativista negro no Rio de Janeiro
  • Hélio Santos, doutor em administração, ativista negro paulista
  • Jean Lauand, historiador, tradutor, Faculdade de Educação / USP
  • Ronilda Yakemi Ribeiro, doutora em psicologia e antropologia, africanista, IP / USP
  • Roseli Fischmann, ativista dos Direitos Humanos, Faculdade de Educação / USP
  •    . . .
SOBRE O AUTOR


Para navegar pelo Túlio (índice)

Túlio: a presentation and synopsis
 

THE DAY TULIO DISCOVERED AFRICA
the trip of an Afro-Brazilian boy
through 8000 years of African culture

by Ralf Rickli

To live without History is to accept the anonymous rôle of plankton
or protozoan in the tide of human evolution; it is to be a ruin,
or to bear the roots of other people in us; it is to give up
the possibility of being a root to others who come after us.
Joseph Ki-Zerbo
in General History of Africa
(here retranslated from Portuguese)

Even though Brazil has the second largest African-ascent population among the countries of the World (just after Nigeria), comprehensive and easy accessible information on African History has been virtually non-existent in the country up to this day.

New historic perspectives as C.A.Diop’s and Martin Bernal’s, as well as already classic perpectives as Basil Davidson’s are equally ignored, and most books approaching the subject are far too specialized to interest the average reader, especially the young one.

The present book intends to contribute to filling this gap (actually a job that will demand the long-term efforts of many people). It has been so shaped as to interest the general teenager and adult reader, but contains also an aboundance notes and source documentation so to support its use by the teachers and even the researcher.

At this moment the text exists only in Portuguese, but we are sure it would interest readers from other countries as well, so we are open to talk about possible translations: rr@tropis.org

The author sees this book as just one step within a longer-term investigation and action project dealing with education, self-image and their social consequences.

A SYNOPSIS

As a guiding thread the book follows Tulio, an Afro-Brazilian teenager who works as an office-boy and is an excellent student, while living in a favela (shantytown) in São Paulo. One day Tulio feels his general positive attitude shaken by an experience of police violence and prejudice. (This departing situation is inspired by real life stories heard in the author's work and friendship circles in favela situations).

As an answer to his perplexity, Tulio finds himself brought to a trip in time and space through Africa's real History. He comes from modern Dakar through old Ghana to a "Pan-African Transtemporal Congress" at Sankure University in Tombuctu, where he meets a random sample of diaspora personalities, from pre-islamic Arabia to modern America.

From the old Sudan kingdoms the tour goes on to the fertile Sahara of 5000 bC and to the beginnings of the Egyptian Empire. At the feet of the Great Pyramid (in its original marble sheath) Dr. Cheikh Anta Diop himself exposes his ideas about the African origin of civilization.

An eye is cast upon old Kushite cities and ironworks before going up the Nile to the Lake Region and Mount Kilimandjaro. Leakey's theories of the human origin are mentioned with care, not only because this remote origin is not essential to the point, but also because scientific views on this matter are never final, and over-secure statements are not unlikely to backfire.

Suahili coastal eximport culture is considered together with the problems of European arrival (represented by Vasco da Gama's 1498 trip).

Ethiopian civilization with its particular christianity is visited in its foundation myths and in the astonishing sacred architecture of Lalibela.

Care is taken to show Africa as comprehending different cultural-religious streams (traditional, islamic, christian), rather than limited within this or that one.

Not much space is given to the slave trade issue, as the author thinks it's time to focus on the most positive (and less known) aspects of African History. The question is however not skipped: two different historical moments in the so-called Slave Coast demonstrate its terrible social impact.

Quick reference is made to Nigerian classical art (Benin, Ife, Nok). Deepening into Yoruba culture is avoided in this particular trip, for its importance in present Brazil would demand a more specialized approach. A visit to the 'Brazilian' returnees community in Lagos complements the tour.

The Congress closes in modern Abidjan, where the 19th-Century Afro-Brazilian symbolist poet Cruz e Souza discusses with Tulio the origin of Brazilian favelas and the impact of the concealment of Africa's History on the diaspora people, and Africa herself pleads for an unity-in-diversity praxis, while presenting the recuperation of African memory as part of the struggle for a really universal image of the Human Being.

The last paragraphs meet Tulio back in his original environment, now able to see it as "just a passage in a much larger and still unfinished (hi)story".

Para navegar pelo Túlio (índice)

página inaugurada em 18.10.1998